Alerta máximo: A mpox se tornou uma ameaça ainda maior, com uma variante mais mortal e um perfil clínico mais complexo.
Reportagem/Roberto Silva
A Organização Mundial da Saúde (OMS) elevou o status da mpox, anteriormente conhecida como varíola dos macacos, à categoria de emergência de saúde pública de importância internacional (ESPII) na última quarta-feira (14). Essa classificação, a mesma atribuída à covid-19 em 2020, reflete a gravidade e o potencial de disseminação da doença.
A doença, que já havia sido objeto de uma declaração de emergência global em 2022, devido à sua disseminação por mais de 70 países, encontra-se novamente sob vigilância intensificada da OMS, com a identificação de casos em 13 países. Quais as peculiaridades deste novo surto que motivam a reavaliação da situação?
Embora a primeira epidemia de mpox tenha se disseminado por um número significativamente maior de países, a rápida expansão da segunda onda tem gerado grande preocupação na OMS. Os dados de 2024 são alarmantes, com um aumento de aproximadamente 160% no número de casos e óbitos em comparação com o ano anterior, ultrapassando a marca de 15 mil infectados e 537 mortes.
A OMS informa que, no mês passado, quatro países que anteriormente não haviam registrado um número significativo de casos de mpox – Burundi, Quênia, Ruanda e Uganda – notificaram um total de 90 novos infectados.
A principal distinção entre o primeiro e o segundo surtos de mpox reside na taxa de letalidade. Dados da revista Wired revelam que, entre maio de 2022 e dezembro de 2023, a doença causou 171 mortes em 116 países, a partir de 92.783 casos confirmados. No entanto, de forma alarmante, o número de óbitos em 2024 já superou em mais de três vezes esse total anterior.
A disparidade na letalidade entre os dois surtos de mpox pode ser atribuída à existência de diferentes clados do vírus. Enquanto o surto global de 2022 foi causado pelo clado 2, com uma taxa de mortalidade inferior a 1%, o atual surto está relacionado ao clado 1, endêmico da África, e com uma taxa de letalidade que pode atingir até 10%, segundo o médico infectologista congolês Jean Nachega.
De acordo com Boghuma Titanji, professora de doenças infecciosas da Universidade Emory e especialista em surtos de mpox, o combate à doença tornou-se mais complexo. A pesquisadora destaca que, além das mutações que aumentam a periculosidade do vírus, o perfil das populações afetadas e as dinâmicas de transmissão também sofreram alterações.
Embora a Organização Mundial da Saúde (OMS) continue a destacar o contato sexual como a principal via de transmissão da mpox, outras formas de contágio não podem ser descartadas. O contato próximo com animais infectados ou indivíduos doentes, através de secreções de lesões, mucosas ou gotículas respiratórias, além da exposição a objetos contaminados por fluidos infecciosos, representam riscos significativos.
Um estudo recente, publicado na revista Nature Medicine por Nachega e sua equipe, revelou que um surto de mpox na cidade congolesa de Kamituga teve início entre profissionais do sexo. No entanto, a pesquisa indica que a disseminação da doença para países vizinhos, como Ruanda, Uganda e Burundi, ocorreu predominantemente através de contatos familiares próximos.
Uma parcela considerável da força de trabalho nesses países é composta por migrantes. Ao receberem seus salários, frequentemente buscam serviços sexuais pagos, retornando em seguida a seus países de origem para visitar suas famílias. Esse comportamento tem contribuído para a disseminação regional da doença", explica Nachega. É importante destacar que, atualmente, 70% dos casos de mpox e 85% das mortes no Congo estão concentrados em crianças e adolescentes com menos de 15 anos.
A professora Titanji, em entrevista à Associated Press, ressaltou a necessidade de investigações mais aprofundadas para elucidar a questão da maior virulência do clado 1. A pesquisadora ponderou que a elevada letalidade observada pode estar relacionada não apenas a características intrínsecas do vírus, mas também a fatores extrínsecos, como a mudança no padrão de disseminação, que tem atingido populações mais vulneráveis, como crianças em áreas rurais com limitado acesso à saúde.
"Um surto de mpox, caracterizado por mutações genéticas inéditas, foi detectado em setembro de 2023 na região leste da República Democrática do Congo. De acordo com Rosamund Lewis, líder técnica sobre mpox do Programa de Emergências Globais da OMS, essas mutações indicam que a transmissão viral tem se dado exclusivamente entre humanos."
Devido a uma série de fatores, o vírus 1b evoluiu para uma nova variante altamente adaptada à espécie humana", explica o Dr. Daniel Bausch, conselheiro sênior da FIND, em entrevista à CNN. Essa adaptação sugere que o vírus se tornou mais eficiente na infecção de humanos do que de outros animais, como os macacos. Diante desse cenário, os especialistas em saúde global concordam que a vigilância epidemiológica deve ser intensificada em casos suspeitos de infecção.
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Vamos se cuidar pessoal.
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