Da praga à riqueza: erva-baleeira abre novas portas para agricultores do sul da Bahia

 Você conhece a erva-baleeira? Descubra como essa planta está mudando a vida de agricultores de Eunápolis 



Google fotos 





A erva-baleeira, antes considerada uma simples erva daninha, está revelando um enorme potencial econômico para comunidades rurais. Uma pesquisa inovadora, realizada pela Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) em parceria com uma empresa de Celulose, tem capacitado agricultores a transformar essa planta nativa em uma fonte de renda sustentável. Através de técnicas de manejo adequadas, os agricultores aprendem a extrair óleos essenciais da erva-baleeira, substâncias altamente valorizadas na indústria de cosméticos e farmacêutica. Essa nova fonte de renda tem impulsionado a economia local, gerado empregos e valorizado a biodiversidade da região. Além disso, o projeto tem contribuído para a conservação da erva-baleeira, garantindo a sustentabilidade ambiental e social da iniciativa.




A erva-baleeira, uma planta nativa do Brasil, está sendo redescoberta e valorizada por suas propriedades medicinais e cosméticas. O que antes era considerado uma praga, agora se transforma em uma oportunidade para o desenvolvimento sustentável de comunidades rurais. Em localidades como Miramar, no Sul da Bahia, agricultores estão explorando o potencial econômico da erva-baleeira, contribuindo para a geração de renda e a preservação do meio ambiente. A produção de óleos essenciais a partir dessa planta não apenas gera empregos e movimenta a economia local, mas também valoriza a biodiversidade brasileira e promove o uso sustentável dos recursos naturais.

Através do projeto DSAF, uma iniciativa conjunta entre a Universidade Federal do Sul da Bahia e a empresa de Celulose, pesquisadores identificaram uma nova oportunidade de negócio para a agricultura familiar, abrindo caminho para o desenvolvimento de atividades econômicas mais sustentáveis e rentáveis na região.




"A UFSB iniciou um trabalho de identificação da flora local e, ao encontrar a Varonia curassavica, ou erva-baleeira, aprofundou seus estudos. Em parceria com a Universidade Federal do Paraná, analisamos a composição química do óleo essencial dessa planta. Em seguida, realizamos pesquisas agronômicas para otimizar o cultivo e a produção. Nosso objetivo era auxiliar os agricultores a explorar o potencial econômico da biodiversidade local. Muitas vezes, os agricultores focam apenas nas culturas de maior valor de mercado, deixando de lado o enorme potencial de outras plantas, como a erva-baleeira. Essa descoberta nos permitiu desenvolver o primeiro fitoterápico produzido integralmente no Brasil", explica a Dra. Carolina Kffuri, pesquisadora responsável pelo projeto.


O projeto DSAF, coordenado pela Prof. Dra. Gabriela Narezi e em parceria com o Instituto Fotossíntese, ofereceu treinamento completo aos agricultores, desde a colheita até a extração do óleo essencial da erva-baleeira. Com esse conhecimento, os agricultores estão mais preparados para explorar o potencial econômico dessa planta. A venda inicial de 15 kg de óleo essencial comprova a viabilidade do projeto.


"No início, a ideia de transformar a erva-baleeira em um negócio era vista com desconfiança. Muitos a consideravam apenas uma praga. Mas, com a ajuda da pesquisa, conseguimos montar uma equipe e transformar essa planta em um produto de alta qualidade. Acreditamos que a erva-baleeira pode ser a chave para o futuro das nossas famílias, já que é um produto único na região. Esperamos que nosso óleo, produzido aqui em Miramar, conquiste o mercado brasileiro e até mesmo o internacional", afirma Claudio Batista, um dos agricultores envolvidos no projeto.

Reconhecida por suas propriedades anti-inflamatórias, graças ao princípio ativo alfa-humuleno, a planta já é utilizada na medicina tradicional e comercializada em farmácias na forma de pomadas e sprays. O óleo essencial, por sua vez, é bastante eficaz no tratamento de contusões e artrite, sendo amplamente utilizado em massagens terapêuticas. Devido a essas propriedades e à crescente demanda por produtos naturais, o cultivo dessa planta apresenta um grande potencial de mercado, especialmente para comunidades agrícolas familiares.

Para extrair o óleo essencial das folhas da planta, os agricultores utilizam uma dorna de inox 316L, um equipamento de alta qualidade doado pela Veracel e instalado na sede do Instituto Fotossíntese. Com capacidade para 300 litros, essa dorna permite a produção de um óleo puro e de alta qualidade, atendendo aos padrões exigidos pela indústria farmacêutica. Essa certificação é fundamental para garantir um preço mais justo para o produto e gerar uma renda maior para as famílias.

Para que a produção de óleo essencial cresça, é preciso investir em energia elétrica e água de qualidade nas comunidades. Essas melhorias na infraestrutura permitirão a instalação de mais dornas, aumentando a produção e gerando mais renda para os produtores.

A Associação Miramar é uma comunidade agrícola composta por 84 lotes, totalizando 1.212 hectares. O projeto piloto, que envolveu inicialmente 6 famílias, demonstra o potencial da comunidade para a produção agrícola e tem atraído novos interessados.

A parceria entre a Veracel e a UFSB está revolucionando a agricultura familiar na região Sul da Bahia. Através do projeto "Desenvolvimento Socioambiental da Agricultura Familiar", comunidades como Miramar estão explorando o potencial econômico de plantas nativas, como a maria-preta e a melaleuca. Com o apoio de pesquisas científicas e a valorização da biodiversidade local, os agricultores estão produzindo óleos essenciais de alta qualidade e gerando renda para suas famílias. O sucesso do projeto, reconhecido com diversos prêmios, demonstra o poder da parceria entre academia, iniciativa privada e comunidade.

A capacitação de agricultores familiares para a produção de óleos essenciais é um dos pilares do projeto da Veracel em parceria com diversas instituições. Os cursos realizados em agosto demonstraram a importância de investir em conhecimento e fortalecer a rede de colaboração entre os participantes. A grande procura pelos cursos e o sucesso das iniciativas já implementadas mostram o potencial da produção de óleos essenciais para gerar renda e promover o desenvolvimento sustentável da região.






Tags: erva-baleeira
agricultura familiar
sul da Bahia
óleos essenciais
desenvolvimento sustentável
Veracel
UFSB
agricultura orgânica
biodiversidade
economia rural


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Corra! Prazo para declarar o ITR termina em 30 de setembro!

Bahia avança na tecnologia: 5G em 26 cidades